Ganhar altura na vida adulta tem preço: entenda como funciona a cirurgia que alonga os ossos

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Ganhar altura na vida adulta tem preço: entenda como funciona a cirurgia que alonga os ossos Crédito: Imagem gerada pela IA

A vontade de ganhar alguns centímetros de altura tem levado mais pessoas a conhecer a cirurgia de alongamento ósseo, procedimento que estimula a formação de um novo tecido ósseo para aumentar a estatura. Apesar dos avanços tecnológicos e da possibilidade de realizar a intervenção sem fixadores externos, o tratamento é complexo, exige acompanhamento especializado e pode provocar complicações.

Segundo o ortopedista Thiago Amorim Bastos, especialista em reconstrução e alongamento ósseo, a técnica existe há décadas e tem origem nos estudos do médico russo Gavriil Abramovich Ilizarov. Em 1951, ele desenvolveu um método capaz de estimular a regeneração óssea por meio de uma intervenção controlada. A descoberta abriu caminho não apenas para o aumento da estatura, mas também para o tratamento de deformidades congênitas, infecções ósseas, sequelas de traumas e fraturas que não se consolidaram.

Como funciona a cirurgia para aumentar a altura

O procedimento começa com uma osteotomia, cirurgia em que o osso é cortado. Em seguida, as partes ósseas são afastadas gradualmente, estimulando o organismo a produzir um novo tecido que preenche o espaço criado. Para controlar esse processo, Ilizarov desenvolveu um fixador externo circular, conhecido popularmente como gaiola. Durante muitos anos, a necessidade de permanecer com esse equipamento por meses foi um dos principais obstáculos à popularização da técnica.

O cenário mudou com o desenvolvimento de dispositivos menores e, principalmente, de implantes internos capazes de realizar o alongamento de maneira controlada. Em 2011, a empresa Ellipse Technologies lançou no mercado norte-americano uma haste intramedular com mecanismo magnético. Implantado dentro do osso, o dispositivo é acionado por um controlador externo e dispensa a manutenção de uma estrutura fixada ao membro. Segundo o especialista, essa tecnologia está disponível no Brasil desde janeiro de 2026.

Quantos centímetros é possível ganhar?

O alongamento pode envolver as tíbias, os fêmures ou ambos, conforme a avaliação médica e os objetivos estabelecidos para cada paciente. Durante a cirurgia, o ortopedista realiza o corte ósseo e instala os dispositivos responsáveis pelo afastamento gradual. A fase de ajustes geralmente começa cerca de duas semanas depois da operação. A partir daí, o osso é alongado progressivamente, em uma velocidade definida de acordo com a resposta do organismo e a formação do novo tecido. O acompanhamento médico regular é necessário para avaliar a evolução e fazer as adequações.

Não existe uma quantidade de centímetros que possa ser recomendada para todos. O planejamento considera características individuais, capacidade de formação óssea e condições clínicas. “Não existe uma quantidade de centímetros que possa ser indicada indistintamente para todas as pessoas. O planejamento precisa considerar as características individuais, a capacidade de formação óssea e as condições clínicas do paciente. É fundamental alinhar as expectativas com o que é possível alcançar e compreender que se trata de um processo que exige tempo e comprometimento”, explica Thiago.

Recuperação exige fisioterapia e acompanhamento

A fisioterapia tem papel importante durante o tratamento. Como o alongamento pode provocar desconforto e limitações de mobilidade, o acompanhamento busca preservar a função dos membros e auxiliar na recuperação. O tempo necessário varia conforme a quantidade de centímetros planejada e a resposta de cada organismo. Por isso, a cirurgia não representa uma mudança imediata na estatura: o processo envolve etapas de alongamento e recuperação que exigem dedicação do paciente.

Quais são os riscos da cirurgia?

Mesmo com os avanços tecnológicos, o alongamento ósseo estético continua sendo uma intervenção complexa. Entre as possíveis complicações estão rigidez nas articulações, atraso ou consolidação precoce do osso, lesões neurológicas, infecções e necessidade de novas cirurgias.

O custo elevado dos implantes e da operação também é um fator importante. Por ter finalidade estética, o procedimento não tem cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nem pelos planos de saúde, segundo o especialista. A decisão ainda precisa considerar os impactos na rotina profissional, familiar e pessoal, já que a recuperação demanda acompanhamento contínuo.

Escolha do médico é fundamental

Com o aumento do interesse pela cirurgia, a avaliação por profissionais com formação e experiência na área se torna ainda mais importante. O paciente precisa conhecer os resultados possíveis, os limites técnicos e as complicações associadas à intervenção. “Uma cirurgia com finalidade estética não deve ser tratada como um procedimento simples apenas porque existe tecnologia capaz de proporcionar o resultado desejado. O paciente precisa conhecer os riscos, entender todas as etapas do tratamento e ter expectativas compatíveis com a realidade. Um médico experiente não deve apenas saber operar, mas, principalmente, saber quando não operar”, ressalta Thiago.

Embora os recursos disponíveis tenham ampliado as possibilidades de aumentar a estatura, a cirurgia continua exigindo indicação criteriosa. A segurança depende da avaliação individual, das condições de saúde e do respeito aos limites de cada organismo.

Fonte: Jornal Correio

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