Uso inadequado de lentes de contato pode causar infecções e até perda permanente da visão Crédito: Imagem: PeopleImages.com – Yuri A | Shutterstock
O número de usuários de lentes de contato no Brasil dobrou em um ano, passando de 2 milhões, em 2024, para 4 milhões, em 2025, segundo a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato (Soblec). O crescimento também acende um alerta sobre os cuidados com a saúde ocular: de acordo com a entidade, cerca de 45% dos jovens que usam lentes apresentam complicações nos olhos e, entre eles, mais de 35% não fazem a higienização correta.
O oftalmologista Danilo Jun, do Hospital CEMA, ressalta que as lentes são seguras quando há indicação, adaptação e uso adequados. Os riscos aumentam quando os usuários deixam de seguir as recomendações de higiene, ultrapassam o prazo de descarte ou insistem em utilizar as lentes mesmo diante de desconforto.

Derrame ocular por Shutterstock
A atenção é especialmente importante em períodos de férias, verão, viagens, atividades esportivas e festas, quando pode aumentar a exposição à água e o tempo de uso. Com a proximidade do Halloween, a procura por lentes coloridas e decorativas também merece cuidado, principalmente quando os produtos são vendidos informalmente e não há informações confiáveis sobre sua procedência.
Quem usa lentes de contato e por quê
Adolescentes e adultos jovens estão entre os públicos que mais procuram lentes de contato. O principal motivo é a correção de problemas de visão, como miopia, hipermetropia e astigmatismo. Também há procura por praticidade na prática esportiva, independência dos óculos na presbiopia e motivos estéticos.
“Os pacientes chegam ao consultório mais informados, mas é preciso lembrar que a adaptação não termina quando a lente é escolhida. A saúde ocular depende de hábitos corretos, da qualidade do material, da estabilidade do filme lacrimal e do acompanhamento profissional”, afirma Danilo Jun.
Os erros mais comuns no uso diário
Entre os hábitos inadequados que o oftalmologista identifica na rotina dos pacientes estão:
- Dormir com as lentes, mesmo durante cochilos curtos.
- Ultrapassar o prazo de descarte indicado.
- Reutilizar a solução do estojo ou apenas completar o líquido antigo, em vez de substituí-lo por uma solução nova.
- Lavar as lentes ou o estojo com água da torneira.
- Manipular as lentes sem higienizar corretamente as mãos.
- Manter o mesmo estojo por tempo excessivo. A recomendação prática apresentada pelo especialista é substituí-lo ao menos a cada três meses.
- Continuar usando as lentes mesmo quando há desconforto.
O médico também alerta que o soro fisiológico, sozinho, não desinfeta as lentes. Além disso, lentes de descarte mensal não são necessariamente apropriadas para uso durante o sono: o prazo de descarte e a autorização para dormir com elas são características diferentes.
Lentes coloridas também exigem adaptação
Lentes coloridas e decorativas não devem ser tratadas como simples acessórios. Mesmo quando não têm grau, precisam ser avaliadas e adaptadas por um profissional, considerando aspectos como curvatura, diâmetro, posicionamento e interação com a superfície ocular.
“Lentes de contato não são acessórios para emprestar, mas dispositivos médicos que exigem adaptação individual”, afirma o oftalmologista. Produtos sem procedência confiável ou sem adaptação adequada podem provocar inflamações, infecções e úlceras de córnea. Em situações graves, as complicações podem levar à perda visual permanente.
No Brasil, as lentes de contato são produtos para a saúde regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que já proibiu a comercialização de itens sem registro. A compra pela internet exige atenção à procedência do fornecedor e às orientações profissionais. Compartilhar lentes, mesmo por pouco tempo, também deve ser evitado, pois pode favorecer a transmissão de microrganismos.
Quais sintomas exigem atenção imediata
Dor ocular, vermelhidão intensa, sensibilidade à luz, visão embaçada ou reduzida, secreção e sensação persistente de corpo estranho são sinais de alerta. Nesses casos, a orientação é retirar as lentes e procurar atendimento oftalmológico com urgência, de preferência no mesmo dia.
A recomendação é não voltar a usar as lentes até passar por avaliação médica e não tentar resolver o problema por conta própria com colírios, especialmente aqueles que contêm antibióticos ou corticoides.
Sete cuidados essenciais para quem usa lentes
- Lavar e secar bem as mãos antes de manusear as lentes.
- Respeitar o tempo de uso e o prazo de descarte.
- Não dormir com as lentes sem indicação médica específica.
- Não tomar banho, nadar ou lavar as lentes com água.
- Usar a solução adequada e nunca reutilizar o líquido do estojo.
- Manter o estojo limpo e substituí-lo regularmente.
- Retirar as lentes e procurar atendimento diante de dor, vermelhidão, sensibilidade à luz ou visão embaçada.
“A lente de contato deve proporcionar liberdade, conforto e qualidade de vida, mas nunca à custa da saúde ocular. Seus olhos não devem pagar o preço de um hábito inadequado”, conclui Danilo Jun.
Fonte: Jornal Correio









