Com alta de 24% nos procedimentos cirúrgicos na Bahia, SUS passa a contar com tecnologia robótica contra o câncer de próstata

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Câncer de prõstata Crédito: Shutterstock

O número de cirurgias para retirada da próstata em pacientes com câncer cresceu 24% na Bahia em dez anos, passando de 384 procedimentos, em 2016, para 476, em 2025. No Brasil, o aumento foi de 38,5% no mesmo período, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Para o urologista Lucas Batista, chefe do Serviço de Urologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a ampliação das possibilidades de tratamento representa um avanço importante para os pacientes.

Em 2026, a inclusão da cirurgia robótica na tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) abre caminho para que a tecnologia também passe a integrar a assistência na rede pública. A expectativa do especialista é que o recurso chegue à rede pública baiana. A cirurgia robótica permite movimentos mais precisos e visualização ampliada das estruturas anatômicas. Em pacientes selecionados, esses recursos podem favorecer a preservação da continência urinária e da função sexual.

A indicação, no entanto, depende das características do tumor, das condições clínicas do paciente e da experiência da equipe médica. A demanda por assistência é reforçada pela estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 77.920 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Na Bahia, são esperados 6.540 casos em 2026.

Exames e diagnósticos também aumentam

A campanha Novembro Azul reforça a importância da avaliação urológica e da investigação do câncer de próstata, uma doença que ainda enfrenta tabus entre os homens. A ampliação da oferta de exames na rede pública e as ações de conscientização buscam estimular a procura pelos serviços de saúde e ampliar o acesso à investigação diagnóstica.

Dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), do Ministério da Saúde, mostram que o número de exames de dosagem do antígeno prostático específico (PSA) cresceu 71,5% no Brasil entre 2020 e 2025. O volume passou de aproximadamente 4,2 milhões para 7,2 milhões. Na Bahia, a alta foi de 50%, de 234,4 mil para 351,6 mil exames. O PSA é um exame de sangue utilizado na avaliação da próstata e pode indicar alterações suspeitas, mas não confirma o câncer isoladamente.

As biópsias da próstata, procedimento que permite confirmar o diagnóstico por meio da análise de amostras do tecido prostático, também aumentaram no período. Dados do Ministério da Saúde disponíveis no DataSUS apontam que os procedimentos passaram de 24.877, em 2020, para 64.790, em 2025, no Brasil, uma alta de aproximadamente 160%. Na Bahia, o crescimento foi de 249,5%, com o número de biópsias passando de 767 para 2.681.

Diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento

O câncer de próstata costuma evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Por isso, a investigação pode ser importante mesmo na ausência de sinais aparentes da doença. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens sem fatores de risco discutam a avaliação com um urologista a partir dos 50 anos. Para aqueles com maior risco, como os que têm pai ou irmão diagnosticado com a doença, a orientação é iniciar essa conversa aos 45 anos. Quando identificado em fase inicial e ainda localizado, o câncer apresenta maiores possibilidades de tratamento bem-sucedido, inclusive com intenção de cura.

Como funciona a cirurgia robótica

A inclusão da cirurgia robótica na tabela do SUS, em 2026, representa uma nova possibilidade para o tratamento cirúrgico do câncer de próstata na rede pública. A tecnologia oferece recursos que permitem ao cirurgião realizar movimentos mais precisos e visualizar de forma ampliada as estruturas anatômicas.

Segundo Lucas Batista, essas características podem contribuir para preservar funções importantes em pacientes selecionados. O especialista ressalta, porém, que a escolha da técnica deve levar em conta a extensão da doença, as condições clínicas do paciente e a experiência da equipe médica.

“A cirurgia robótica oferece recursos que favorecem a precisão dos movimentos e a visualização das estruturas anatômicas. Em pacientes selecionados, isso pode contribuir para a preservação de funções importantes. A indicação deve considerar a extensão da doença, as condições clínicas do paciente e a experiência da equipe, sempre priorizando o controle oncológico e a qualidade de vida”, afirma o urologista.

Fonte: Jornal Correio

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