Sinal de alerta: cansaço ao subir escadas pode revelar doença cardíaca rara que 62% desconhecem

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Falta de ar ao subir escadas pode indicar doença rara que ameaça o coração; 62% nunca ouviram falar Crédito: Imagem gerada pela IA

Sentir falta de ar ao subir escadas ou cansaço constante pode parecer consequência do sedentarismo, do ganho de peso ou do envelhecimento. Mas, quando esses sintomas persistem ou pioram progressivamente, também podem indicar um problema vascular grave: a hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC).

Uma pesquisa nacional realizada pela Ipsos a pedido da Bayer revelou que 62% dos brasileiros nunca ouviram falar da doença, enquanto, entre os que dizem conhecê-la, 81% admitem ter conhecimento básico ou nenhum sobre a condição. O desconhecimento pode dificultar o reconhecimento dos sinais e atrasar a busca por diagnóstico e tratamento. O levantamento ouviu mil pessoas nas cinco regiões do país e identificou confusão entre a HPTEC e a hipertensão arterial sistêmica, conhecida popularmente como pressão alta.

Embora 73% dos entrevistados que conhecem a doença saibam que as duas condições são diferentes, 22% desse grupo não conseguem apontar diferenças práticas entre elas. Além disso, 42% acreditam equivocadamente que a pressão alta comum é a causa direta da obstrução dos vasos pulmonares.

Como a doença afeta a circulação e o coração

A HPTEC ocorre quando coágulos que obstruíram os vasos sanguíneos dos pulmões não são completamente eliminados e deixam áreas de tecido fibroso, dificultando a circulação. Com a resistência à passagem do sangue, a pressão nos vasos pulmonares aumenta e o lado direito do coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue.

Com a progressão do quadro, esse esforço pode provocar alterações no funcionamento cardíaco e levar à insuficiência cardíaca. “Em termos simples, a HPTEC acontece quando um coágulo de sangue fica preso no pulmão e, em vez de se dissolver com o tempo, se transforma em um tecido fibroso que dificulta a passagem do sangue”, explica o pneumologista Rodrigo Lima. Segundo o médico, a obstrução sobrecarrega o coração e pode comprometer sua capacidade de bombear o sangue. Por isso, identificar a doença e iniciar o tratamento adequado são medidas importantes para reduzir o risco de complicações graves.

Falta de ar e fadiga estão entre os principais sinais

A pesquisa da Ipsos identificou a falta de ar durante esforços físicos como o sintoma mais associado à HPTEC pelos entrevistados, citada por 62%. A fadiga constante apareceu em seguida, mencionada por 55%. Apesar disso, apenas 33% dos brasileiros reconhecem o impacto da doença na capacidade de trabalhar e realizar atividades cotidianas. Em casos progressivos, tarefas simples e exercícios físicos podem se tornar cada vez mais difíceis.

Os sintomas não são exclusivos da HPTEC e podem estar relacionados a diferentes condições de saúde. Ainda assim, falta de ar persistente ou progressiva, especialmente após um episódio de trombose ou embolia pulmonar, merece avaliação médica. A atenção é importante porque a doença pode surgir como uma complicação da embolia pulmonar, situação em que um coágulo bloqueia um vaso sanguíneo no pulmão. Estimativas citadas no material apontam que cerca de 4% dos pacientes que sofrem uma embolia pulmonar desenvolvem HPTEC em até dois anos.

No cenário global, estima-se que entre 250 mil e 500 mil pessoas convivam com a condição. Os números reforçam a importância do acompanhamento médico após episódios de embolia pulmonar, principalmente quando os sintomas persistem.

Tratamento depende da avaliação de cada paciente

Cerca de 40% das pessoas diagnosticadas com HPTEC são consideradas inoperáveis, segundo os dados citados no material, devido à localização das lesões ou à presença de outras condições clínicas. Para esses pacientes, assim como para aqueles que continuam com a doença após uma cirurgia, existem alternativas terapêuticas que dependem da avaliação especializada.

Uma delas é a angioplastia pulmonar por cateterismo, procedimento em que um balão é utilizado para atuar em vasos comprometidos. Outra possibilidade é o tratamento medicamentoso. “O medicamento riociguate é a única molécula com eficácia clínica comprovada e aprovada pela Anvisa no Brasil para essa finalidade terapêutica”, afirma Lima.

Segundo o especialista, o fármaco atua sobre a enzima guanilato ciclase solúvel, promovendo a dilatação dos vasos pulmonares e podendo melhorar a capacidade funcional dos pacientes elegíveis. A escolha do tratamento depende das características da doença, da localização das obstruções e das condições clínicas de cada pessoa.

Acesso ao tratamento pelo SUS ainda é um desafio

Embora a hipertensão arterial pulmonar (HAP) conte com protocolo federal de assistência e medicamentos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a HPTEC não dispõe, segundo o material apresentado, de uma diretriz nacional equivalente para o tratamento medicamentoso.

A diferença entre as duas doenças pode gerar confusão entre pacientes e familiares, especialmente porque os nomes são semelhantes, mas as causas e as abordagens terapêuticas não são iguais. Em Minas Gerais, o governo estadual está na fase final de implementação de um protocolo clínico e de diretrizes terapêuticas (PCDT) específico para a HPTEC, que prevê a compra e a distribuição gratuita do medicamento para pacientes do estado.

Mesmo com a perspectiva de ampliação do acesso ao tratamento, o desconhecimento sobre a doença continua elevado. De acordo com a pesquisa da Ipsos, 88% dos entrevistados em Minas Gerais nunca ouviram falar da HPTEC, índice superior à média nacional de 62%. A ampliação do conhecimento sobre a condição, o reconhecimento dos sintomas e o acompanhamento médico após uma embolia pulmonar são pontos importantes para favorecer o diagnóstico e evitar que a doença avance sem ser identificada.

Fonte: Jornal Correio

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