Para 77% dos brasileiros, falta de tempo aumenta a busca por conforto no consumo

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Pedir uma comida diferente depois de um dia difícil, pagar mais por uma entrega rápida ou escolher um serviço mais confortável são hábitos que vêm ganhando espaço no consumo. No Brasil, 77% dos brasileiros consideram que ter tempo para si se tornou um privilégio.

O dado faz parte da pesquisa “Status Quo do Me Mimei”, da Casa Mundo Latam, consultoria latino-americana de inteligência de mercado, comportamento e tendências de consumo. O estudo analisa como o cansaço e a falta de tempo têm influenciado as escolhas dos consumidores e contribuído para o crescimento da chamada economia do “eu mereço”.

Em uma rotina marcada pelo desgaste, pequenas recompensas passam a ser incorporadas ao dia a dia como formas de cuidado e alívio. O alerta aparece quando essa lógica deixa de ser ocasional e passa a ocupar um espaço permanente nas decisões de consumo, influenciando a relação das pessoas com o dinheiro.

O levantamento aponta que a preocupação financeira lidera os fatores que mais pesam na rotina dos entrevistados. Ao mesmo tempo, produtos e serviços capazes de oferecer mais conforto continuam sendo vistos como formas de reduzir o desgaste cotidiano.

O básico virou premium

Os resultados apontam para uma transformação no significado do consumo premium. Se antes pagar mais estava associado principalmente à exclusividade ou ao status, hoje essa decisão aparece cada vez mais ligada ao desejo de reduzir atritos cotidianos e conquistar uma rotina mais confortável, previsível e segura.

Quando pagam mais por uma experiência melhor, 55% dos brasileiros afirmam buscar mais conforto, 51% querem evitar problemas, 49% procuram mais segurança e 37% desejam ganhar tempo. A exclusividade aparece na última posição, mencionada por 18% dos entrevistados.

A percepção de que a qualidade de vida depende cada vez mais da capacidade de pagar também aparece em outro resultado. Para 52% dos brasileiros, experiências consideradas básicas funcionam mal justamente para incentivar a contratação de versões pagas ou premium. Somando aqueles que concordam parcialmente, esse percentual chega a 94%, reforçando a sensação de que aquilo que antes era considerado suficiente passou a exigir um investimento adicional.

O levantamento também identifica situações em que os entrevistados afirmam pagar mais para evitar estresse, espera ou imprevistos. A saúde lidera esse movimento, citada por 61% dos brasileiros, seguida por comida (44%), lazer (37%) e transporte por aplicativo (31%).

Entre qualidade de vida e ausência de fricção

Os resultados mostram, no entanto, que nem todo gasto adicional possui o mesmo significado. Em muitas situações, pagar mais representa acesso a condições básicas de qualidade de vida, como conseguir atendimento médico em menos tempo, alimentar-se melhor, cuidar da saúde ou conquistar mais segurança no dia a dia.

Essa mudança de comportamento também acompanha transformações do mercado. Um levantamento da Kantar mostra que o preço médio dos produtos premium vendidos no Brasil cresceu 11,3% no terceiro trimestre de 2024. Mesmo assim, essas categorias registraram crescimento de 5,8% nas unidades vendidas, movimento observado especialmente nos segmentos de bebidas e higiene e beleza.

Nos serviços digitais, recursos como maior resolução de imagem, áudio imersivo e ausência de anúncios também costumam ficar restritos aos planos mais caros. Em muitos casos, a versão premium deixa de representar apenas um benefício adicional e passa a ser percebida como uma forma de acessar uma experiência considerada completa.

O levantamento da Casa Mundo Latam ouviu 524 pessoas no Brasil, México, Colômbia e Argentina, em julho de 2026, para investigar como o cansaço tem transformado a relação dos latino-americanos com o consumo, o conforto e o bem-estar.

Fonte: Mercado&Consumo

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