Coceira que não passa, pele seca e lesões no corpo: veja quando esses sinais merecem atenção

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Coceira que não passa, pele seca e lesões no corpo: veja quando esses sinais merecem atenção Crédito: Shutterstock

A dermatite atópica é uma doença inflamatória e crônica da pele marcada principalmente pela coceira intensa. O problema pode interferir no sono, no desempenho escolar ou profissional e até no convívio social, especialmente quando as lesões ficam em áreas visíveis do corpo. Na semana do Dia Nacional de Conscientização sobre Dermatite Atópica, celebrado em 23 de setembro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reforça a importância do diagnóstico e do acompanhamento médico. Segundo a dermatologista Rosana Lazzarini, a doença tem origem multifatorial e envolve fatores genéticos, ambientais e imunológicos.

“A dermatite atópica é uma doença multifatorial. Existem fatores genéticos, muitos deles associados também à asma e à rinite, além de fatores ambientais e imunológicos. Todos esses elementos atuam em conjunto para que a doença se manifeste. Por isso, é importante compreender que não existe uma causa isolada para todos os pacientes”, ex

Diagnóstico é feito clinicamente

Não existe um exame laboratorial específico capaz de confirmar sozinho a presença da dermatite atópica. O diagnóstico é clínico e considera características como o aspecto das lesões, a região do corpo afetada, a ocorrência de períodos de melhora e piora e a intensidade da coceira. “Observamos o aspecto, a distribuição das lesões, presença de períodos com e sem lesões (recidivas) além da intensidade da coceira”, detalha Rosana.

Em algumas situações, exames complementares podem ser solicitados para auxiliar na investigação ou descartar outras doenças que apresentam manifestações semelhantes. A avaliação deve ser feita por profissionais qualificados, principalmente dermatologistas ou alergistas, que podem definir o tratamento mais adequado para cada paciente.

Hidratação deve fazer parte da rotina

Um dos principais objetivos do tratamento é preservar a barreira cutânea e controlar a inflamação e a coceira. Entre os cuidados recomendados estão o uso frequente de cremes ou loções hidratantes, banhos rápidos com água não muito quente e uso reduzido ou adequado de sabonetes.

“A pele dos pacientes com dermatite atópica é muito seca e precisa de cremes ou loções hidratantes aplicados, em geral, de duas a três vezes ao dia. Esses cuidados ajudam a preservar a barreira cutânea e devem fazer parte da rotina, não apenas dos momentos de crise”, esclarece a dermatologista.

Dependendo da intensidade do quadro, podem ser utilizados medicamentos tópicos apropriados para cada região do corpo e tratamentos para controle da coceira. Em casos mais graves, o tratamento pode envolver imunossupressores por via oral e fototerapia com UVB de banda estreita, que pode contribuir especialmente para a redução do prurido.

Doença pode afetar sono e convivência

A coceira intensa é um dos principais fatores que interferem na qualidade de vida de quem tem dermatite atópica. Quando ocorre durante a noite, pode prejudicar o sono e, consequentemente, afetar o rendimento na escola ou no trabalho. As lesões também podem provocar constrangimento e dificuldades de relacionamento quando aparecem em áreas expostas do corpo. Segundo a especialista, alguns pacientes podem enfrentar situações de bullying por causa da aparência da pele. “É fundamental reforçar que a dermatite atópica não é contagiosa”, enfatiza Rosana.

Corticosteroides exigem acompanhamento médico

Outro alerta da dermatologista envolve o uso inadequado de corticosteroides sistêmicos, administrados por via oral ou injetável. Embora possam proporcionar uma melhora rápida dos sintomas, o uso sem acompanhamento especializado ou de forma pontual em situações de emergência pode ser seguido por uma piora intensa após a suspensão do medicamento.

Esse agravamento é conhecido como efeito rebote. Por isso, a escolha do tratamento deve considerar as características e a gravidade de cada caso. “É fundamental que o tratamento seja orientado por um médico capacitado, que avalie os riscos e benefícios de cada opção terapêutica”, ressalta a especialista.

O diagnóstico precoce, o acompanhamento regular e os cuidados diários com a pele podem ajudar a controlar os sintomas e prevenir complicações. A hidratação, em especial, deve ser mantida mesmo fora dos períodos de crise, como parte da rotina de cuidado de quem convive com a dermatite atópica.

Fonte: Jorrnal Correio

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