Alerta aos pais: fazer cocô todos os dias não garante que o intestino do seu filho esteja saudável

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Seu filho faz cocô todos os dias? Esse hábito não garante que o intestino esteja saudável Crédito: Freepik

A frequência das evacuações não é o único indicador da saúde intestinal das crianças. A consistência, o formato e a cor das fezes, assim como a presença de dor ou dificuldade para evacuar, também podem revelar alterações no funcionamento do aparelho digestivo. Por isso, mesmo quando a criança faz cocô todos os dias, ainda é possível que apresente constipação intestinal. Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Rodrigo Barbosa, observar os hábitos intestinais dos pequenos é importante, especialmente quando as mudanças persistem ou aparecem acompanhadas de outros sintomas.

“Os pais costumam perguntar quantas vezes a criança precisa evacuar para considerarmos o intestino normal. A frequência é importante, mas não é o único parâmetro. Precisamos observar também como são essas fezes, se a criança faz muito esforço, sente dor, evita ir ao banheiro ou tem a sensação de que não conseguiu evacuar completamente”, explica.

Embora passar vários dias sem evacuar seja um dos sinais mais conhecidos da constipação intestinal, a condição não é definida apenas pela frequência das idas ao banheiro.

Uma criança pode evacuar diariamente e, ainda assim, apresentar fezes muito duras ou volumosas, fazer esforço excessivo, sentir dor, ter a sensação de evacuação incompleta ou tentar reter as fezes para evitar ir ao banheiro.

“Às vezes a família diz que está tudo bem porque a criança evacua diariamente. Mas, quando começamos a perguntar, descobrimos que ela demora muito no banheiro, faz força, reclama de dor ou elimina fezes muito endurecidas. Por isso é preciso olhar o conjunto”, afirma Barbosa.

A constipação também pode desencadear um ciclo de desconforto. Ao sentir dor durante a evacuação, a criança pode começar a segurar as fezes por medo de passar pela mesma experiência novamente. Com isso, elas permanecem por mais tempo no intestino e podem ficar ainda mais ressecadas, dificultando as evacuações seguintes.

Formato e consistência

Fezes formadas e macias, eliminadas sem dor ou esforço excessivo, geralmente indicam uma evacuação mais confortável. Por outro lado, fezes endurecidas, ressecadas ou com aparência de pequenas bolinhas podem estar associadas à constipação.

Já as fezes muito líquidas ou os episódios recorrentes de diarreia também merecem atenção, principalmente quando persistem ou são acompanhados de febre, vômitos, sinais de desidratação, sangue ou piora do estado geral da criança.

“Uma alteração isolada pode acontecer. O que chama mais atenção é a mudança que persiste, se repete ou vem acompanhada de outros sinais. Não é necessário transformar cada ida ao banheiro em motivo de preocupação, mas conhecer o padrão habitual da criança ajuda a perceber quando alguma coisa mudou”, orienta o médico.

A alimentação pode interferir na coloração das fezes. Alguns alimentos, medicamentos e corantes podem deixá-las temporariamente mais escuras, avermelhadas ou esverdeadas, sem que isso necessariamente indique um problema de saúde.

Por isso, uma mudança pontual precisa ser avaliada considerando o que a criança comeu e se existem outros sintomas. Entretanto, a presença de sangue, fezes muito escuras com aparência diferente do habitual ou fezes persistentemente muito claras exige avaliação médica.

“Quando aparece uma cor muito diferente, a primeira pergunta é se a criança ingeriu algum alimento, medicamento ou produto que possa explicar aquela mudança. Se não existe uma explicação clara, se a alteração persiste ou se há suspeita de sangue, é importante procurar orientação médica”, explica Barbosa.

Quando procurar um médico?

Alterações persistentes no funcionamento do intestino devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Entre os sinais de alerta estão dor recorrente durante a evacuação, constipação persistente, diarreia prolongada ou frequente, sangue nas fezes, vômitos recorrentes, distensão abdominal importante, perda de peso, dificuldade para ganhar peso e mudanças inexplicadas na aparência das fezes.

O especialista também chama a atenção para a retirada de alimentos da dieta infantil sem orientação profissional, uma prática que pode ocorrer quando os pais tentam identificar a causa de sintomas digestivos recorrentes.

“Nem toda alteração intestinal significa intolerância à lactose, alergia ou problema com glúten. Fazer restrições alimentares por conta própria pode não resolver a causa e ainda tornar a alimentação infantil desnecessariamente limitada”, destaca o médico.

Além de observar os hábitos intestinais, é importante que os pais criem um ambiente acolhedor para que as crianças relatem eventuais desconfortos sem constrangimento.

“É importante que a criança entenda que falar sobre o intestino não é feio nem motivo de vergonha. Dor, dificuldade para evacuar ou qualquer mudança diferente do habitual precisam poder ser contadas aos pais. Muitas vezes, uma informação simples que a criança traz ajuda a família a perceber um problema mais cedo”, conclui.

Fonte: Jornal Correio

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