Artrite reumatoide – Foto: Reprodução internet
Acordar com rigidez nas mãos, sentir fadiga e perceber inchaço nos joelhos ao levantar da cama são sintomas normalizados por pessoas que os atribuem ao estresse ou ao envelhecimento.
Artrite reumatoide costuma ser vista como uma doença de idoso, mas a realidade é bem diferenteAna Luísa Souza Pedreira – Médica reumatologista
No Brasil, cerca de 2 milhões de indivíduos vivem com artrite reumatoide, condição inflamatória autoimune que atinge o público em idade produtiva. Quase metade dos casos (47%) segue sem o diagnóstico correto, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Perfil dos afetados e dados do diagnóstico no Brasil
A doença atinge predominantemente as mulheres, que correspondem a 67% dos casos. O diagnóstico ocorre, em média, aos 39 anos.
Uma pesquisa do Instituto Nielsen, realizada para a Pfizer e apresentada no 32º Congresso Brasileiro de Reumatologia, aponta que 37% das mulheres recebem a confirmação do quadro entre 18 e 44 anos.
“A artrite reumatoide costuma ser vista como uma doença de idoso, mas a realidade é bem diferente: muitos pacientes recebem o diagnóstico ainda na casa dos 30 e poucos anos, quando estão trabalhando, construindo a carreira e, muitas vezes, criando os filhos. Quando não identificada e tratada adequadamente, a doença pode interferir na rotina e comprometer a qualidade de vida”, declara a reumatologista Dra. Ana Luísa Souza Pedreira.
Impacto da artrite reumatoide no mercado de trabalho
Segundo dados da pesquisa, a falta de diagnóstico e de tratamento interfere na vida profissional dos pacientes.
- 35% dos pacientes relatam interferência direta na rotina de trabalho;
- 17% foram demitidos devido aos desdobramentos da doença;
- 14% recorreram à aposentadoria precoce.
Um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pelo Cepic e pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre comparou pacientes de quatro países latino-americanos.
O levantamento revelou que o Brasil registra o maior índice de desemprego entre pessoas com a doença: 6 em cada 10 pacientes brasileiros estão sem trabalho, e 83% relatam dor e desconforto diários.
Sintomas e diferenças entre dor inflamatória e osteoartrite
Diferenciar a dor inflamatória das dores mecânicas do dia a dia é o passo inicial para a identificação precoce. A rigidez matinal que dura mais de uma hora indica processo inflamatório. Na osteoartrite comum, o incômodo dura menos de 30 minutos.
A dor inflamatória apresenta comportamento específico: piora com o repouso e melhora com o movimento. O inchaço segue padrão simétrico, atingindo as duas mãos, os dois punhos ou os dois joelhos ao mesmo tempo.
Há também manifestações além das articulações, como fadiga, febre baixa e mal-estar geral. Sem intervenção, a inflamação persistente gera dano articular permanente.
“Dor nas juntas que persiste por mais de seis semanas, que piora ao acordar e que aparece dos dois lados do corpo ao mesmo tempo não deve ser ignorada. Quanto antes a gente identifica a artrite reumatoide, maior a chance de controlar a doença sem deixar sequelas. Hoje existem tratamentos muito eficazes, mas eles funcionam melhor quanto mais cedo começam”, orienta Ana Luísa.
O Dia Mundial de Conscientização sobre a Artrite Reumatoide, celebrado em 12 de outubro, reforça a necessidade de buscar avaliação médica especializada ao notar a persistência desses sintomas.
Fonte: A Tarde









