A falsa segurança do exame de próstata: por que um resultado normal não garante que está tudo bem Crédito: Imagem: Evgeny Atamanenko | Shutterstock
Muitos homens saem do laboratório aliviados ao receber um resultado normal no exame de sangue relacionado à próstata. A sensação de que está tudo bem, no entanto, pode ser enganosa. Segundo especialistas, esse é um dos equívocos mais comuns da prevenção masculina e pode atrasar o diagnóstico de diversas doenças. Embora o câncer de próstata esteja entre os tumores mais frequentes no Brasil — com cerca de 78 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) —, a avaliação da saúde masculina vai muito além de um único exame.
“O homem costuma criar uma falsa sensação de segurança. Muitos fazem apenas o exame de sangue relacionado à próstata, recebem um resultado normal e acreditam que não há mais nada com que se preocupar. Mas esse exame representa apenas uma parte da avaliação. O check-up precisa considerar a história clínica, os hábitos de vida, os fatores de risco, os sintomas, o exame físico e, quando necessário, outros exames”, explica o urologista Rodolfo José Favaretto Filho.
Muito além da próstata
Durante uma consulta de rotina, o urologista avalia diferentes aspectos da saúde masculina, inclusive alterações que ainda não provocaram dor ou qualquer outro sintoma perceptível. “A consulta não serve apenas para procurar uma doença específica. Ela permite avaliar o funcionamento do organismo de forma ampla e identificar sinais que poderiam passar despercebidos. Muitas doenças evoluem silenciosamente e só dão sintomas quando já estão em estágios mais avançados”, afirma.
Além da próstata, o acompanhamento pode incluir a avaliação dos rins, da bexiga, dos testículos, das vias urinárias, da saúde sexual, da fertilidade e das alterações hormonais. Segundo o especialista, sintomas como dificuldade para urinar ou mudanças na função sexual não devem ser encarados automaticamente como consequência do envelhecimento. “Uma alteração urinária ou sexual aparentemente simples pode ser o primeiro sinal de que algo precisa ser investigado. O ideal é evitar o autodiagnóstico e procurar avaliação médica”, alerta.
O erro de procurar ajuda apenas quando há dor
Outro comportamento que preocupa os especialistas é o hábito de buscar atendimento somente quando os sintomas já interferem na rotina. “Infelizmente, muitos homens ainda procuram o médico apenas quando alguma coisa está muito errada. O ideal é justamente o contrário: identificar alterações antes que elas evoluam. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores costumam ser as chances de tratamento e de preservação da qualidade de vida”, destaca Favaretto.
O médico lembra que não há uma lista única de exames válida para todos os homens. A investigação deve ser personalizada, levando em conta fatores como idade, histórico familiar, doenças pré-existentes, hábitos de vida e fatores de risco. “Cada homem tem uma história diferente. A consulta é fundamental para definir quais exames realmente são necessários, evitando tanto a falta de investigação quanto a realização de exames sem indicação”, explica.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens a partir dos 50 anos conversem com um urologista sobre a avaliação da próstata, mesmo sem sintomas. Para aqueles com maior risco — como homens negros, obesos ou com histórico familiar da doença — essa conversa deve começar aos 45 anos.
Para o especialista, a principal mudança ainda é cultural. “Hoje falamos muito em longevidade, mas viver mais não basta. É preciso viver com autonomia e qualidade de vida. O check-up masculino não se resume a um único exame; ele é uma oportunidade de avaliar a saúde como um todo e agir antes que um problema se torne mais difícil de tratar”, afirma.
Fonte: Jornal Correio









