Giordania Tavares*
Liderar grandes equipes nunca é tarefa simples. Profissionais em cargos de chefia, independentemente do gênero, precisam demonstrar capacidade de engajar pessoas e conduzir o grupo a um objetivo comum. Ainda assim, em conversas com outras mulheres que ocupam posições de liderança, é comum ouvir que mesmo com os avanços conquistados, ainda existe uma dupla cobrança sobre lideranças femininas: é preciso se mostrar competente por causa do cargo, como é comum para todos, mas também apesar do gênero.
Por que mulheres em cargos de liderança ainda é um tabu? Não é como se na história não houvesse centenas de exemplos de grandes líderes femininas conhecidas ou tantas outras cuja trajetória segue anônima. A persistência desse problema revela a resistência em reconhecer, no presente, a legitimidade da liderança exercida por mulheres. Deste modo, combater a desigualdade de gênero nesse campo exige questionar estereótipos que seguem moldando, de forma desigual, expectativas sobre autoridade e competência.
Apesar da urgência, trata-se de um desafio que ainda exigirá esforço contínuo. Ainda assim, a cada mulher que decide abrir o próprio negócio ou se qualificar para ocupar cargos de liderança, avançamos um passo rumo à equidade.
Contudo, também é necessário que as empresas assumam um papel ativo nesse processo, oferecendo condições de acesso, permanência e ascensão profissional, com critérios transparentes de avaliação, políticas de diversidade consistentes e ambientes de trabalho que não penalizem trajetórias femininas, sobretudo no caso da maternidade.
Apesar disso, há mais de 20 anos acompanhando o setor industrial, percebo que muita coisa já mudou para melhor. Os processos tornaram-se mais profissionais, debates antes periféricos passaram a integrar a agenda corporativa e práticas de gestão ganharam maior transparência. Esse ambiente mais aberto tem se refletido no interesse crescente de mulheres por posições de liderança, seja na condução de seus próprios negócios, seja na ocupação de cargos estratégicos dentro das organizações em que diferentes departamentos, por exemplo, são liderados por colaboradoras.
O interesse em romper essa barreira é algo animador. Apesar dos desafios persistentes, cada vez mais encontramos histórias de mulheres que enfrentaram o receio historicamente imposto à liderança feminina. Resta saber, portanto, quem ainda, nos dias de hoje, contesta a performance e as contribuições de profissionais mulheres em cargos de decisão. É por isso que muitas de nós seguem avançando, mesmo diante dos desafios externos, porque sabemos que ocupar esses espaços não é um favor, nem uma concessão, mas o resultado de muita competência e preparo.
*Graduada em administração, com especialização pela Universidade Presbiteriana Mackenz, CEO da Rayflex
“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião”
Fonte: Hoje em Dia









