Uso elevado de telas compromete visão com fadiga ocular

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Paula Guimarães*

O desconforto ocular, principalmente após um dia de trabalho em frente a telas, já é parte da rotina de milhares de brasileiros. Contudo, apesar de parecer simples, a fadiga ocular deve ser investigada, destacadamente, considerando a frequência.

A condição decorre do esforço intenso, sem restrição somente ao uso de eletrônicos, mesmo apesar de mais comuns, também se deve avaliar a leitura. As duas situações exigem o foco constante para curta distância, influenciando a quantidade de piscadas e ampliando o esforço da musculatura ocular.

O passar das horas provoca o surgimento de alguns sintomas: olhos secos, sensação de areia, ardência, vermelhidão, dor de cabeça e na região ocular – descrita como peso em torno do órgão. 

Vale destacar também a dificuldade para trocar o foco em objetos de diferentes distâncias, concentrando na atividade realizada e ler documentos na mesma velocidade de costume, justificada pela visão instável. Para muitos, é como se as palavras embaralhassem na página, comprometendo a legibilidade. 

Na maioria das vezes, os sinais desaparecem com descanso, envolvendo uma boa noite de sono, adequação das luzes do ambiente, aplicação de compressas de água gelada e evitando o uso de aparelhos fora do horário profissional, notadamente antes de dormir.

Os cuidados diários também permitem um maior conforto ocular com o uso de colírios – devem sempre ser indicados pelo oftalmologista -, o ajuste da distância (50 cm) e altura das telas em relação ao olhar, fugindo do aparelho em ambientes muito escuros ou sem fazer pausas. 

Os oftalmologistas recomendam que a cada 20 minutos seja feito um intervalo de apenas 20 segundos, focando o olhar em objetos distantes, para, assim, relaxar os músculos e prevenir o desconforto. 

Mesmo parecendo algo simples, os sintomas devem sempre ser investigados, sobretudo quando frequentes. A consulta médica previne condições, como alterações refrativas com necessidade de avaliação e recomendação de óculos, por exemplo.

As lentes podem ser adaptadas à realidade individual. O filtro azul protege os olhos contra a exposição excessiva da luz emitida pelas telas e lâmpadas artificiais, reduzindo a fadiga visual, aumentando o contraste e minimizando os efeitos delas na produção de melatonina, essencial para o bom sono.

Cuidar dos olhos significa atenção para quem deseja melhorar o desempenho profissional e manter maior qualidade de vida com adequada longevidade ocular.

*Oftalmologista

“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Hoje em Dia”.

Fonte: Hoje em Dia

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