Confusão na final da Copa do Mundo Crédito: Reprodução
A Argentina recebeu uma série de punições da Fifa após episódios registrados durante a Copa do Mundo. A Federação Argentina de Futebol (AFA) terá de pagar US$ 321 mil, cerca de R$ 1,65 milhão, e a seleção poderá atuar com apenas metade do estádio ocupado em seus próximos jogos como mandante.
As decisões foram anunciadas nesta sexta-feira (21) pelo Comitê Disciplinar da Fifa e levam em consideração tanto o comportamento de torcedores argentinos durante a competição quanto a confusão envolvendo jogadores das seleções argentina e espanhola depois da final.
Entre os episódios analisados estão cânticos e gestos considerados racistas, homofóbicos e discriminatórios, além do lançamento de objetos no gramado, atraso no início de uma partida e descumprimento de protocolos de segurança. A Fifa também puniu a AFA pela exibição da bandeira das Ilhas Malvinas, considerada uma manifestação de caráter não esportivo.
Os atos discriminatórios citados na decisão ocorreram nos jogos da Argentina contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha. Por essas ocorrências, a federação recebeu uma multa de US$ 100 mil, além de outro valor equivalente que ficará suspenso por seis meses.
A AFA ainda recebeu uma multa de US$ 91 mil pelos objetos arremessados ao campo durante as partidas contra Suíça e Inglaterra, pelo atraso no começo do jogo e pelas violações das normas de segurança da Fifa. Também foram aplicadas multas de US$ 10 mil pela bandeira das Ilhas Malvinas e de US$ 20 mil por conduta inadequada dos espectadores.
Embora a punição financeira total chegue a US$ 321 mil, US$ 100 mil estão suspensos e só serão cobrados caso haja reincidência dentro do período estabelecido. Assim, inicialmente, a AFA terá de desembolsar US$ 221 mil. A entidade também deverá destinar US$ 100 mil a um plano de combate à discriminação, que precisará ser aprovado pela Fifa.
A seleção argentina também foi punida com o fechamento de 50% das arquibancadas em sua próxima partida oficial em casa. Uma segunda punição semelhante foi determinada, mas ficará suspensa por um ano e só será aplicada se a equipe voltar a cometer uma infração de natureza e gravidade semelhantes.
A Fifa estabeleceu ainda uma alternativa para a restrição. Com autorização da entidade, a AFA poderá utilizar metade dos assentos que seriam destinados ao fechamento para receber grupos comunitários ou específicos, como famílias, estudantes e organizações voltadas ao combate à discriminação. Nesse formato, a ocupação corresponderia a 25% da capacidade total do estádio e deverá ser acompanhada por ações de conscientização.
Caso a Argentina não dispute partidas das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2030, por ser um dos países-sede da competição, a seleção poderá não ter compromissos oficiais em casa durante o período da punição. Nesse cenário, a restrição de público poderá ser cumprida em amistosos.
A confusão depois da final também resultou em punições individuais. O meia Leandro Paredes foi suspenso por dez partidas e recebeu multa de US$ 90 mil, enquanto o lateral Nahuel Molina terá de cumprir sete jogos de suspensão e pagar o mesmo valor.
Thiago Almada foi punido com um jogo de suspensão e multa de US$ 30 mil. Do lado espanhol, Gavi também recebeu um jogo de gancho e multa de US$ 30 mil. Roberto Fabián Ayala, da comissão técnica argentina, foi suspenso por três partidas e multado em US$ 30 mil.
A AFA informou que pretende solicitar os fundamentos das decisões que podem ser revisadas para apresentar recursos à Fifa. No comunicado, a entidade afirmou que “reserva-se, no futuro, a possibilidade de recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS) como último recurso”.
Fonte: Jornal Correio









