Por Juliana Guimarães*
As datas do calendário de saúde, como o Dia Mundial da Saúde Ocular, são oportunidades para os oftalmologistas intensificarem as campanhas sobre a necessidade de cuidar da qualidade da visão em consultas rotineiras de checape. Afinal, a descoberta precoce de alterações e doenças permite o tratamento adequado, prevenindo agravamentos e, até mesmo, a cegueira.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima cerca de 50 milhões de brasileiros com algum tipo de distúrbio ocular, incluindo problemas graves como catarata, glaucoma, ceratocone, retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade (DMRI).
A verdade é que em todos esses casos o comprometimento dos olhos é um dos principais sinais de alerta, manifestando-se com embaçamento, distorção e dificuldade para enxergar com nitidez.
Outro fator de atenção está na súbita sensibilidade à luz, a fotofobia.
Os oftalmologistas apontam que praticamente todas as pessoas deverão passar pela cirurgia de catarata, caso vivam o suficiente. A situação decorre do aumento da expectativa de vida e do natural processo de envelhecimento, tornando o cristalino (a lente natural do olho) opaco e rígido. Trata-se da principal causa de cegueira reversível no mundo. O diagnóstico precoce permite um planejamento cirúrgico mais tranquilo e seguro.
Já o glaucoma provoca a perda da visão devido ao dano progressivo no nervo óptico, frequentemente associado ao aumento da pressão intraocular, sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A ausência de sintomas na fase inicial dificulta a identificação precoce e, como a doença não tem cura, o tratamento deve ser mantido pela vida. O controle requer aplicação diária de colírios hipotensores ou por meio de procedimentos, como a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT), equilibrando a pressão intraocular e reduzindo a dependência de colírios anti-glaucomatosos – podendo, em alguns casos, eliminar essa necessidade.
Já o glaucoma provoca a perda da visão devido ao dano progressivo no nervo óptico, frequentemente associado ao aumento da pressão intraocular, sendo a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A ausência de sintomas na fase inicial dificulta a identificação precoce e, como a doença não tem cura, o tratamento deve ser mantido pela vida. O controle requer aplicação diária de colírios hipotensores ou por meio de procedimentos, como a Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT), equilibrando a pressão intraocular e reduzindo a dependência de colírios anti-glaucomatosos – podendo, em alguns casos, eliminar essa necessidade.
O ceratocone causa uma deformação progressiva na córnea, tornando-a mais fina e com um formato cônico. O hábito de coçar os olhos é considerado o principal fator de risco modificável e de progressão da doença, sendo muito comum em pessoas alérgicas.
A condição requer o uso de óculos, lentes de contato especiais, procedimentos como o crosslinking e o implante de anel intracorneano, ou, em casos graves, o transplante de córnea. A fila de espera por um transplante de córnea no Brasil, somando todas as indicações médicas, oscila historicamente e já chegou a registrar mais de 20 mil pessoas aguardando pelo procedimento.
Uma patologia que não envolve transplante de córnea é a retinopatia diabética. O problema acomete portadores de diabetes com níveis glicêmicos descontrolados, provocando lesões nos pequenos vasos sanguíneos da retina. Os cuidados começam pelo controle rigoroso da glicemia, sendo que os casos graves requerem aplicações de medicamentos intravítreos (antiangiogênicos), fotocoagulação a laser ou cirurgia (vitrectomia).
No caso da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), a mácula (área central da retina) é afetada, comprometendo a visão central e de detalhes. As causas são multifatoriais, envolvendo genética, envelhecimento, tabagismo, exposição solar sem proteção, obesidade e doenças cardiovasculares. O tratamento para a forma seca inclui suplementação com vitaminas e minerais antioxidantes, enquanto a forma úmida, a mais grave, é tratada com injeções intravítreas de medicamentos antiangiogênicos.
É importante lembrar dos cuidados com as ocorrências oculares consideradas mais comuns, como os erros refrativos, a conjuntivite e outras infecções. A miopia apresenta crescimento global, associado ao uso prolongado de telas em ambientes fechados, pela falta de exposição à luz solar na infância. Os graus elevados de miopia estão estatisticamente correlacionados a um risco maior para desenvolvimento de glaucoma e descolamento de retina. O uso excessivo de telas também agrava os sintomas da síndrome do olho seco.
A recomendação é manter hábitos rigorosos de higiene — ao lavar as mãos, remover maquiagens e manusear lentes de contato — e utilizar proteção solar adequada, como óculos com proteção UV. As consultas oftalmológicas devem ser periódicas, independentemente da presença de sintomas.
*Oftalmologista
“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal Hoje em Dia”.
Fonte: Hoje em Dia









