Tarifaço dos EUA afetará 245 produtos da Bahia; celulose solúvel é a maior preocupação

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Celulose solúvel Crédito: Divulgação

Pelo menos 245 produtos produzidos pela indústria baiana podem ser afetados pela nova sobretaxa anunciada pelo governo dos Estados Unidos às exportações brasileiras. Com uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos estadunidenses, a estimativa da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) é de que aproximadamente um terço (33,2%) dos itens exportados pela Bahia devem ser aplicados ao tarifaço, tomando como referência as exportações de 2025.

Isso corresponde a US$273,1 milhões dos US$821,4 milhões exportados no ano passado (o que inclui 157 produtos isentos). Na avaliação do superintendente da Fieb, Vladson Menezes, o saldo é negativo e tem grande impacto em setores específicos, mas não é tão significativo na economia baiana de forma geral.

“De modo geral, a definição final da quarta-feira (dia 15) incluiu menos exportações brasileiras do que se esperava, mas, no caso da Bahia, foi um pouco mais, porque incluiu a celulose solúvel, que não estava na previsão inicial”, explica ele, citando o setor que é detentor do maior percentual de exportações, entre os listados no tarifaço. “Mesmo assim, se colocarmos um ano para frente, vai dar 0,3% do PIB (Produto Interno Bruto), então é um impacto pequeno. Mas é um impacto sobre empresas relevantes e sobre setores relevantes da economia. Portanto, é negativo e não representa nenhum ganho significativo para a economia americana”, acrescenta.

A Fieb divulgou uma nota técnica na última quinta-feira (16) e avalia que a tendência do tarifaço é de ampliar a perda de participação dos produtos baianos nas exportações destinadas aos Estados Unidos, movimento que vem sendo observado ao longo das últimas duas décadas.

Participação

Atualmente, o país ocupa a quarta posição entre os principais destinos das exportações da Bahia. Na última quarta-feira (15), os EUA estabeleceram um novo tarifaço de 25% para itens exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano. Segundo a Fieb, em 2021, os Estados Unidos respondiam por 35% das exportações baianas. Em 2025, esse percentual caiu para 7,1%, e a projeção para 2026 é de nova retração, chegando a 6,1%.

“Esse total de 821 milhões de dólares já tinha tido o impacto das tarifas do ano passado, que depois saíram. Começou em abril; depois, em junho, teve sobretaxa para aço e alumínio; depois outra em julho. Em novembro, os EUA tiraram alguns produtos. Já em fevereiro (de 2026), houve uma decisão judicial que entendeu que a norma em que eles se apoiavam estava equivocada, então tiraram todas as taxas. Anunciaram uma tarifa de 10% por 150 dias, que está acabando na semana que vem”, lembra Menezes.

Ainda assim, como a participação dos Estados Unidos é pequena no universo de exportações de produtos brasileiros, o impacto não é tão grande quando olhado de forma geral. Entre os segmentos industriais mais impactados pelo aumento das tarifas estão os setores de papel e celulose (com a celulose solúvel), produtos de borracha e plástico — especialmente pneus — e a indústria química, com destaque para os petroquímicos básicos.

No entanto, a celulose solúvel foi destacada pela Fieb. Ela é o principal produto da pauta baiana, entre os que devem ser taxados. A celulose do tipo líquida alcançou US$96,2 milhões em exportações em 2025. De acordo com a Fieb, no ano passado, ela estava na lista provisória da sobretaxa, mas foi excluída da versão definitiva. Outros tipos de celulose estão na lista de isenção.

“A celulose solúvel é um produto especial, digamos assim. Não é aquela utilizada para papel, mas uma forma mais purificada, que tem mais valor agregado. Ela é usada em algumas fibras da indústria têxtil, farmacêutica e cosmética. Por ser tarifada, esse setor será afetado”, explica o superintendente. Na Bahia, a celulose solúvel é produzida no Polo de Camaçari.

Outros produtos representam apenas 10% do valor que foi importado no ano passado. Esse é o caso de alguns sucos de fruta, calçados específicos, nozes sem casca e de frutas como a uva fresca. Todos são produtos que não chegaram a US$1 milhão, em exportações, cada.

“Em 2026, por exemplo, exportamos US$264 mil. Não é pouco para a gente, mas, para a economia, é. É um produto afetado importante para a região do Vale do São Francisco, mas eles exportam muito mais para a Europa”, exemplifica.

Ainda assim, a Fieb defendeu que as negociações com o governo dos Estados Unidos priorizem a reinclusão da celulose solúvel, dos pneumáticos e dos produtos químicos na lista de itens isentos da sobretaxa. A Fieb divulgou que também considera necessária a adoção de medidas de apoio aos setores atingidos para reduzir os prejuízos provocados pela medida.

Sobre uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica pelo Brasil, a federação afirma que “qualquer resposta deve ser calibrada, seletiva e baseada em estudos de impacto setoriais, de modo a preservar insumos e bens de capital críticos e evitar custos adicionais para a indústria nacional”.

Para o superintendente Vladson Menezes, é importante ter cautela. “Isso já é ruim, não é positivo para o país. Se você começa a aplicar (tarifas) da mesma maneira, vai prejudicar setores da economia, porque eles não só não vão voltar atrás como tem o risco de aumentarem tarifas”, completa.

Fonte: Jornal Correio

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