‘Diarreia explosiva’: surto de parasita infecta mais de 3,7 mil pessoas nos EUA

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31 estados americanos já notificaram infecções por Cyclospora cayetanensis (à esquerda); alface e outras folhas de salada podem estar por trás da contaminação Crédito: Wikimedia e Shutterstock

Mais de 3,7 mil pessoas foram diagnosticadas com ciclosporíase nos Estados Unidos em 2026, no que pode se tornar o maior surto da doença já registrado no país. As investigações das autoridades de saúde apontam que alface e outras folhas de salada podem estar por trás da contaminação, embora a origem exata ainda não tenha sido identificada.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan (MDHHS) informou que análises preliminares indicam uma associação frequente entre os casos e o consumo de alface ou folhas verdes. Apesar disso, o órgão ressalta que nenhum produto, marca, produtor ou fornecedor específico foi identificado e que outros alimentos continuam sendo investigados.

Michigan concentra o maior número de infecções. Segundo o balanço mais recente, o estado já contabiliza 3.309 casos e pelo menos 44 internações. Em um ano comum, são registrados apenas entre 40 e 50 casos da doença na região.

Em Ohio, foram confirmados 397 casos e ao menos 46 hospitalizações. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), 31 estados americanos já notificaram infecções por Cyclospora cayetanensis, com números acima do esperado também em Nova York, Illinois, Indiana e Kentucky. Desde 2016, os EUA registram, em média, cerca de 2,8 mil casos anuais.

Para a epidemiologista Caitlin Rivers, da Escola de Saúde Pública Bloomberg, da Universidade Johns Hopkins, o país está “a caminho de registrar o maior número de casos de ciclosporíase da história”.

A ciclosporíase é uma infecção intestinal causada pelo parasita microscópico Cyclospora cayetanensis. Os sintomas mais comuns incluem diarreia aquosa, cólicas abdominais, náuseas, perda de apetite, inchaço, fadiga e, em alguns casos, evacuações muito frequentes. Sem tratamento, a doença pode durar semanas ou até meses, embora complicações graves sejam incomuns.

A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de alimentos ou água contaminados. Em surtos anteriores, as autoridades já associaram a doença ao consumo de saladas embaladas, alface, coentro, manjericão, framboesas, ervilhas-tortas, ervilhas-de-quebrar e cebolinhas.

Em 2020, o maior surto recente nos Estados Unidos foi relacionado a saladas embaladas da Fresh Express, deixando 701 pessoas doentes em 14 estados. Dois anos depois, outro surto na Flórida foi associado a kits de salada Caesar contendo alface-romana.

Enquanto a investigação prossegue, o MDHHS recomenda que consumidores deem preferência à compra de pés inteiros de alface, em vez de folhas já lavadas e embaladas. A orientação é descartar as duas ou três folhas externas, lavar cuidadosamente as folhas restantes em água corrente e, sempre que possível, cozinhar vegetais folhosos, já que o parasita é resistente aos métodos convencionais de desinfecção química.

As recomendações são consideradas especialmente importantes para pessoas com maior risco de complicações por desidratação ou imunidade reduzida, como idosos, crianças pequenas, pacientes em quimioterapia e transplantados.

A orientação é para quem apresentar diarreia aquosa persistente procurar atendimento médico e solicitar um exame específico para detectar a Cyclospora, já que testes de fezes de rotina nem sempre identificam o parasita. O tratamento geralmente é feito com antibióticos, além de repouso e hidratação.

Segundo as autoridades de saúde, não há evidências de que o surto esteja relacionado à água de lagos ou outras atividades recreativas. O foco das investigações permanece na cadeia de distribuição de alimentos frescos.

Fonte: Jornal Correio

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