O varejo precisa olhar além da receita para entender seu crescimento

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Imagem: Magnific.

Durante muitos anos, as empresas acompanharam crescimento principalmente por indicadores como receita, vendas e ticket médio. Eles continuam sendo fundamentais, mas olhar apenas para essas métricas pode deixar de fora uma dimensão importante do negócio: o que está acontecendo com a base de clientes.

Os dados da segunda edição de 2026 do Clienting Index ajudam a mostrar essa diferença. O estudo analisou 400 marcas de varejo, 69,6 milhões de consumidores, 209,6 milhões de compras e R$ 75,1 bilhões em receita, comparando o período de julho de 2025 a junho de 2026 com os 12 meses anteriores.

Nesse período, apenas 43,3% das empresas aumentaram o número de clientes únicos, enquanto 68,5% conseguiram elevar o gasto médio por consumidor. Na mediana das empresas comparáveis, a base de clientes caiu 2,5%, o gasto médio por cliente avançou 4,7% e a receita cresceu 2,7%.

Os números mostram um movimento importante. Parte relevante do crescimento está vindo de quem permanece na base, e não da expansão do número de consumidores.

Gráfico de matriz quatro quadrantes relacionando gasto médio por cliente e clientes únicos com estratégias de crescimento comercial.
Imagem: Reprodução.

Receita e crescimento da base não caminham necessariamente juntos

Quando mudamos a unidade de análise da transação para o cliente, fica mais fácil perceber que uma empresa pode aumentar sua receita sem necessariamente ampliar o número de consumidores que compram dela.

Entre as 305 marcas com dados comparáveis nos dois períodos, apenas 34,1% conseguiram aumentar simultaneamente a base de clientes e o gasto médio por consumidor. Esse grupo foi classificado pelo estudo como Crescimento Integral.

Outras 34,4% aumentaram o gasto por cliente, mas perderam consumidores. Já 22,3% tiveram queda nas duas dimensões, enquanto 9,2% conseguiram aumentar a base, mas registraram redução no gasto médio.

Entre as empresas que aumentaram a receita, esse movimento fica ainda mais evidente. Quase 90% cresceram também elevando o gasto por cliente.

Isso mostra a importância de acompanhar não apenas quanto uma empresa vende, mas também quantos consumidores estão comprando e quanto cada um deles gera de receita ao longo do período.

Vender mais para a base é importante, mas existe um limite

Vender mais para os próprios clientes é uma estratégia fundamental, principalmente em um ambiente de aquisição mais cara. Os dados mostram que muitas empresas estão conseguindo crescer justamente por meio do aumento do gasto por consumidor.

Ao mesmo tempo, esse movimento precisa ser observado junto com a evolução da base. Se uma empresa aumenta o gasto médio enquanto perde clientes continuamente, em algum momento essa conta deixa de fechar. O desafio passa a ser administrar as duas dimensões ao mesmo tempo.

Esse cenário aparece de formas diferentes entre os segmentos analisados. Em Moda, por exemplo, a mediana de clientes únicos caiu 3%, enquanto o gasto médio por consumidor cresceu 4,5%. Em Casa, a base recuou 0,9%, acompanhada por um avanço de 4,7% no gasto médio.

O estudo relaciona esse contexto a fatores como juros elevados, endividamento das famílias, maior disputa pela renda disponível e aumento do custo de aquisição no ambiente digital.

Os top performers mostram uma dinâmica diferente

Apesar da tendência geral de redução da base, as empresas de melhor desempenho apresentam números bastante diferentes.

Entre os top performers em crescimento de clientes, a expansão mediana da base chegou a 44,1%, enquanto o conjunto das empresas apresentou queda de 2,5%. Entre as líderes em gasto por consumidor, o avanço mediano foi de 31,2%, diante de 4,7% registrados pelo mercado.

A frequência de compra também ajuda a explicar essa diferença. A mediana geral foi de 2,80 compras por consumidor ao ano, enquanto as empresas de melhor desempenho chegaram a 3,67.

De acordo com o estudo, essas empresas combinam aquisição, recuperação de clientes inativos e estratégias para aumentar a recorrência. O resultado reforça a importância de observar diferentes dimensões da relação com o consumidor ao analisar crescimento.

Olhar para o cliente muda a leitura estratégica

Os números do Clienting Index mostram que analisar crescimento apenas pela receita não conta a história completa. Uma empresa pode vender mais enquanto reduz sua quantidade de clientes, assim como pode ampliar sua base sem necessariamente aumentar o gasto médio por consumidor.

Quando esses indicadores são analisados em conjunto, fica mais claro de onde o crescimento está vindo e como a relação com a base está evoluindo.

Em vez de observar apenas as transações, o Clienting Index acompanha o desempenho do varejo a partir de indicadores relacionados aos clientes, como crescimento da base, gasto médio e frequência de compra.

Fonte: Clienting Index 2026, segunda edição (julho de 2025 a junho de 2026), estudo da Dito.

Fonte: E-Commerce Brasil

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