É preciso evacuar todos os dias? Especialistas explicam o que realmente é normal para o intestino

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Young beautiful blonde woman wearing winter wool sweater over pink isolated background with hand on stomach because nausea, painful disease feeling unwell. Ache concept. Crédito: Divulgação

Quem nunca ouviu que é preciso evacuar todos os dias para manter o intestino saudável? Apesar de bastante difundida, essa ideia não é verdadeira. Segundo especialistas, não existe uma frequência única considerada normal, e passar um ou dois dias sem evacuar nem sempre significa que há um problema.

De acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), o hábito intestinal varia de uma pessoa para outra e sofre influência da alimentação, da hidratação, da prática de atividade física, da qualidade do sono, do uso de medicamentos, da idade e até de fatores emocionais. Na prática clínica, evacuar entre três vezes ao dia e três vezes por semana é considerado normal, desde que não haja dor, esforço excessivo ou outros sintomas associados.

“O que investigamos não é quantas vezes por semana a pessoa evacua, mas se houve mudança em relação ao padrão habitual daquele paciente. Alguém que sempre evacuou a cada dois dias, sem esforço e sem dor, não tem constipação. Já uma alteração recente nesse padrão merece investigação”, explica o gastroenterologista Áureo Augusto Delgado, membro titular da FBG.

O que realmente importa

Outro mito bastante comum é a ideia de que evacuar diariamente seria necessário para “desintoxicar” o organismo. Segundo os especialistas, essa associação não tem respaldo científico. Mais importante do que contar quantas vezes se vai ao banheiro é observar se houve mudanças no funcionamento habitual do intestino ou o aparecimento de sintomas como dor, esforço para evacuar, sensação de esvaziamento incompleto, fezes endurecidas ou alterações recentes na consistência das fezes.

Constipação vai além da frequência

A constipação intestinal também costuma ser mal compreendida. Ela não significa apenas evacuar poucas vezes. O quadro pode incluir dificuldade para evacuar, necessidade de fazer muito esforço, sensação de bloqueio anal, fezes endurecidas ou até a necessidade frequente de recorrer a laxantes ou manobras manuais.

Queixas relacionadas ao funcionamento do intestino estão entre as mais comuns nos consultórios de gastroenterologia. Um estudo publicado na revista Arquivos de Gastroenterologia, com mais de 3 mil mulheres brasileiras, mostrou que 43% relataram episódios de constipação intestinal, evidenciando o impacto do problema na qualidade de vida.

Como manter o intestino saudável

Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, algumas medidas ajudam a manter o intestino funcionando de forma adequada:

  • manter uma boa hidratação ao longo do dia;
  • consumir alimentos ricos em fibras regularmente;
  • praticar atividade física;
  • evitar longos períodos em jejum;
  • não adiar a vontade de evacuar, aproveitando o chamado reflexo gastrocólico.

Quando procurar um médico Os especialistas alertam que mudanças persistentes no hábito intestinal merecem avaliação médica, principalmente quando são acompanhadas de sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, dor intensa ou outros sintomas importantes. Para a FBG, compreender que cada organismo tem seu próprio ritmo é fundamental para evitar preocupações desnecessárias e identificar precocemente situações que realmente exigem investigação.

Fonte: Jornal Correio

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