Você acha que é só cansaço? Sintoma comum pode indicar que o coração está perdendo a força Crédito: Shutterstock/reprodução
Subir alguns degraus e ficar sem fôlego, sentir um cansaço desproporcional depois de uma caminhada curta ou perceber que os sapatos ficaram apertados no fim do dia. Para muita gente, esses sinais fazem parte da rotina ou são consequência da idade. Mas eles também podem indicar que o coração já não está conseguindo bombear sangue com a eficiência necessária.
No Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, celebrado em 9 de julho, cardiologistas reforçam a importância de não ignorar sintomas que, embora pareçam comuns, podem esconder uma doença que afeta milhões de pessoas. Segundo dados da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), cerca de dois milhões de brasileiros convivem com insuficiência cardíaca, e aproximadamente 240 mil novos casos são diagnosticados todos os anos. Em uma década, a doença provocou mais de 2,5 milhões de internações no Sistema Único de Saúde (SUS), tornando-se uma das principais causas de hospitalização recorrente.
Para o cardiologista André Brandão, da Kora Saúde, um dos maiores desafios é que muitos pacientes demoram a procurar ajuda porque acreditam que o cansaço faz parte da rotina. “A insuficiência cardíaca não significa que o coração parou de funcionar, mas que ele perdeu parte da capacidade de bombear sangue para o organismo. Quando o diagnóstico demora, o paciente entra em um ciclo de piora progressiva e passa a precisar de internações frequentes”, explica.
Entre os principais sinais de alerta estão a falta de ar durante pequenos esforços ou ao se deitar, o inchaço nas pernas e tornozelos, o ganho rápido de peso causado pela retenção de líquidos e uma fadiga intensa que dificulta atividades simples do dia a dia. De acordo com o especialista, um hábito simples pode ajudar a identificar precocemente uma piora do quadro: subir na balança todos os dias.
“Se a pessoa ganha mais de um quilo de um dia para o outro, isso pode indicar retenção de líquidos. Observar se os sapatos estão mais apertados ou se as meias deixam marcas profundas nos tornozelos também ajuda a perceber o início do inchaço antes que surjam crises de falta de ar”, orienta.
Embora seja mais frequente em idosos, a insuficiência cardíaca pode ser prevenida ou ter sua evolução retardada com hábitos saudáveis. Reduzir o consumo de sal e alimentos ultraprocessados, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física com orientação médica, abandonar o cigarro e controlar doenças como hipertensão e diabetes estão entre as principais recomendações.
Para André Brandão, o avanço dos tratamentos também mudou a perspectiva para quem recebe o diagnóstico. “Hoje existem terapias capazes de controlar a doença e proporcionar qualidade de vida por muitos anos. Mas isso depende de um diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento”, afirma.
Por isso, especialistas fazem um alerta: o cansaço persistente não deve ser tratado como uma consequência inevitável da idade ou da correria do dia a dia. Quando o corpo começa a dar sinais de que atividades simples estão se tornando mais difíceis, procurar avaliação médica pode fazer toda a diferença para evitar complicações e preservar a saúde do coração.
Fonte: Jornal Correio









