Congelar óvulos garante autonomia e amplia chances reprodutivas

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Ilustrativa – Foto: Arquivo/MDS

O congelamento de óvulos amplia a possibilidade da maternidade para mulheres que ainda não se sentem preparadas para virar mães. Quanto antes o procedimento for realizando, mais eficientes serão os resultados.

O avanço da criopreservação, técnica de congelamento de materiais biológicos a temperaturas extremamente baixas, tem transformado a forma como as mulheres lidam com o planejamento para a fase.

Autonomia reprodutiva com base em estratégia

Desde que deixou de ser considerada experimental em 2012 pela American Society for Reproductive Medicine (ASRM), a técnica vem crescendo de forma consistente. Mais do que uma solução única, o congelamento de óvulos passou a integrar uma abordagem estratégica da medicina reprodutiva.

“A medicina não promete interromper o tempo, mas oferece às mulheres a chance de preservar o potencial reprodutivo em uma fase mais favorável da vida. Isso muda completamente o ponto de partida no futuro”, diz o médico geneticista Paulo Zattar Ribeiro.

Idade influencia

Entretanto, o momento em que o congelamento é realizado faz toda a diferença para a eficácia, segundo estudos publicados no New England Journal of Medicine e conforme meta-análises da Human Reproduction Update.

Veja chances:

  • Mulheres que congelam óvulos antes dos 35 anos podem alcançar cerca de 50% de chance com aproximadamente 10 óvulos preservados;
  • Após os 40 anos, essa probabilidade pode cair para menos de 20%.

“Quando o congelamento é feito mais cedo, trabalhamos com óvulos de melhor qualidade, o que aumenta significativamente as chances de sucesso no futuro. É uma estratégia que pode fazer muita diferença lá na frente”, explica a ginecologista Melissa Cavagnoli.

Qualidade genética

Além da idade, a quantidade de óvulos congelados também influencia os resultados, mas sempre associada à qualidade genética. Com o passar dos anos, aumentam as chances de alterações cromossômicas, o que pode impactar a formação de embriões viáveis.

Ainda assim, os avanços laboratoriais têm melhorado de forma consistente as taxas de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento.

“A grande virada da medicina reprodutiva foi permitir que qualidade e tempo trabalhem a favor da mulher e não apenas contra”, explica Paulo Zattar Ribeiro.

Mulheres tendem a não utilizar óvulos congelados

Estudos indicam que apenas entre 5,7% e 11,1% das mulheres retornam para utilizar os óvulos congelados, segundo publicações na Human Reproduction Update e na American Journal of Obstetrics and Gynecology.

O número é consequência de fatores como:

  • Mudanças de planos;
  • Gravidez espontânea
  • Novos contextos pessoais

“Não usar os óvulos não significa que a decisão foi desnecessária. Significa que a mulher teve opções e isso, por si só, já é um ganho importante”, pontua Melissa Cavagnoli.

Nesse sentido, o congelamento funciona como uma espécie de “reserva de possibilidades” e possibilita concretamente a ampliação das chances reprodutivas.

Especialistas são unânimes ao afirmar que o congelamento de óvulos ganha maior valor quando encarado como uma medida preventiva. Realizado antes dos 35 anos, o procedimento pode representar uma diferença significativa nas chances reprodutivas futuras.

Mais do que adiar decisões, a técnica permite tomá-las com mais liberdade e segurança.

“A autonomia reprodutiva não está em garantir a maternidade, mas em aumentar as possibilidades de escolha. E, nesse contexto, o tempo quando bem utilizado pode ser um aliado poderoso”, finaliza Paulo Zattar Ribeiro.

Fonte: A Tarde

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