Por que construir tecnologia interna pode estar atrasando seu e-commerce

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Imagem gerada por IA.

Toda vez que a discussão sobre construir ou comprar tecnologia entra em uma reunião de board, acontece a mesma cena: alguém defende construir, alguém defende comprar, e a conversa rapidamente cai para o terreno do “quanto custa”.

O custo de construir o que não te diferencia

Toda vez que vejo uma empresa decidindo desenvolver uma plataforma interna (de atendimento omnichannel, de CRM, de ERP, ou qualquer camada operacional que sustenta a experiência do cliente), faço a mesma pergunta: vocês estão prontos para ser, ao mesmo tempo, uma empresa de software e uma empresa do seu setor original?

Porque é isso que está sendo decidido.

Construir parece ser o caminho mais curto. Você controla as funcionalidades, define prioridades e evita licenças. Mas é só olhar um pouco à frente:

– em 3 anos, você terá um time inteiro de engenharia dedicado a manter o que você construiu
– em 5, esse time vai disputar recursos com áreas que deveriam estar mais próximas da geração de receita
– em 7, sua tecnologia interna estará atrasada em relação ao mercado

E, no contexto de e-commerce, isso tem um efeito ainda mais crítico: experiência do cliente passa a evoluir mais devagar do que o comportamento do próprio consumidor.

Segundo a Forrester, 67% dos projetos de software falham por escolhas erradas no dilema entre construir e comprar.

O custo real raramente aparece na planilha inicial. Ele aparece em perda de foco estratégico, lentidão na evolução da jornada e na dificuldade de transformar interações em inteligência de negócio.

A pergunta certa, feita há 35 anos

Em 1990, C.K. Prahalad e Gary Hamel publicaram na Harvard Business Review o artigo The Core Competence of the Corporation, um dos textos mais influentes já escritos sobre estratégia.

A tese é elegante: empresas vencem quando concentram capital, talento e atenção no que é difícil de imitar.

Trazendo isso para a decisão atual, a pergunta deixa de ser “quanto custa construir?” e passa a ser: “Essa tecnologia que estou construindo é o que vai diferenciar minha empresa na experiência do cliente? Ou já existe algo no mercado com mais experiência e robustez para isso?”

Se a resposta for a primeira, construa. Mas, se for a segunda, como acontece na maioria das camadas operacionais, como no atendimento ao cliente, o risco é desviar energia do que realmente gera vantagem competitiva.

O que isso muda na prática

Ninguém hoje questiona o fato de que terceirizamos a fabricação. Achamos óbvio. Mas a história mostra que essa “obviedade” levou décadas para se consolidar e que o caminho foi pavimentado por empresas que perderam tempo, talento e dinheiro construindo o que poderiam ter contratado.

A próxima década vai repetir o mesmo padrão, agora no mundo do software. E acelerado: com a entrada da IA, como observa um relatório recente do Product School, o custo de experimentar caiu, mas o custo de manter soluções internas aumentou.

Em especial no atendimento, que deixou de ser apenas suporte e passou a gerar dados, retenção e receita, tecnologia deixou de ser ferramenta e passou a ser infraestrutura estratégica.

No fim, não é sobre tecnologia

Build vs. buy não é, no fim, uma decisão técnica. É uma confissão de para onde sua empresa olha quando se pergunta “do que somos feitos?”.

As empresas que vão liderar o e-commerce nos próximos anos não serão as que construíram mais coisas, mas as que entenderam com clareza:

– o que precisa ser diferencial
– e o que precisa ser base

Se a resposta estiver desalinhada, o custo não aparecerá só na tecnologia, mas também na experiência do cliente, na eficiência e, inevitavelmente, no crescimento.

E, no e-commerce, é exatamente aí que o jogo se decide.

Fonte: A Tarde

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