Projeto piloto com uso de semaglutida no SUS foi lançado no RS Crédito: Rafael Nascimento
O projeto piloto que vai usar a semaglutida – princípio ativo das canetas emagrecedoras Ozempic e Wegovy – no Sistema Único de Saúde (SUS) teve início nesta sexta-feira (26). O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em uma cerimônia em Porto Alegre (RS). O projeto deve começar com os pacientes acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Rio Grande do Sul.
Durante o lançamento, um paciente recebeu a primeira aplicação do medicamento, marcando o começo da oferta dessa terapia em um hospital federal. Segundo a pasta, a medida faz parte do projeto-piloto Real-Bari, que pretende avaliar a efetividade, os impactos clínicos e os custos da utilização de medicamentos à base de GLP-1 no tratamento da obesidade dentro do sistema universal.
“O Brasil está sendo pioneiro na utilização desse medicamento no sistema público de saúde. Estamos estimulando estudos nessa tecnologia para que o país se aprimore, cada vez mais, da sua produção e oferta de forma segura. Nesse primeiro momento, ela é muito importante para o diabetes e obesidade, mas pode se estender também a outras doenças crônicas e até mesmo para tratamento de cânceres”, disse o ministro.
O estudo foi viabilizado a partir de um protocolo de pesquisa para pacientes com obesidade elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a equipe técnica do Grupo Hospitalar Conceição. O objetivo é garantir maior segurança aos participantes e estabelecer diretrizes para o acompanhamento contínuo por especialistas da unidade.

Projeto piloto com uso de semaglutida no SUS foi lançado no RS Crédito: Divulgação
Ao todo, 250 pacientes do SUS, já acompanhados pelo hospital, devem participar da pesquisa. O grupo é formado por pessoas com obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças, como comprometimento cardíaco, além de indicação para cirurgia bariátrica.
Segundo o Ministério da Saúde, esse perfil reflete a realidade assistencial da unidade, onde 91% dos pacientes com obesidade apresentam a forma mórbida da doença. Entre eles, apenas 47% possuem condições clínicas para realizar cirurgia bariátrica. A hipertensão arterial é a comorbidade mais frequente nesse público.
Ao longo dos dois anos de duração prevista do estudo, os pesquisadores irão acompanhar indicadores como percentual de perda de peso, qualidade de vida, resultados de exames clínicos, evolução no pós-operatório e custos do tratamento. A expectativa é produzir evidências nacionais que possam orientar futuras decisões sobre o cuidado de pacientes com obesidade grave no SUS.
A pesquisa será financiada com recursos repassados ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, provenientes de aporte financeiro da empresa fabricante do medicamento.
Além de já serem acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição, os participantes precisam ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses e apresentar falha comprovada no tratamento clínico convencional, incluindo dieta estruturada e prática regular de atividade física por, no mínimo, dois meses.
Outro critério estabelecido é que o paciente tenha capacidade de realizar a autoaplicação da medicação ou conte com um cuidador apto a realizar o procedimento.
Atendimentos
O SUS realizou, em 2025, cerca de 9,7 milhões de atendimentos relacionados à obesidade, número 57% superior ao registrado em 2022. Segundo a pasta, esse crescimento reflete a ampliação do acesso aos serviços de saúde.
O atendimento às pessoas com obesidade começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com orientação nutricional, incentivo à prática de atividade física, acompanhamento psicológico e suporte das equipes multiprofissionais.
Além da assistência, o Ministério da Saúde mantém investimentos em políticas de prevenção, como a estratégia Viva Mais Brasil, que prevê R$ 340 milhões para ações de promoção da atividade física. Entre as iniciativas está a retomada do programa Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões neste ano. Atualmente, o país conta com 1.775 unidades do programa, e a expectativa é credenciar outras 300 até o fim de 2026.
Outra ferramenta utilizada pelo governo é o Guia Alimentar para a População Brasileira, que reúne recomendações baseadas em evidências científicas para incentivar hábitos alimentares saudáveis, considerando aspectos culturais, regionais, sociais, biológicos e diferentes faixas etárias.
Apesar do início do projeto-piloto, os medicamentos à base de semaglutida e liraglutida ainda não fazem parte da lista de tecnologias incorporadas ao SUS. Segundo o Ministério da Saúde, a eventual inclusão dessas terapias depende do cumprimento de critérios técnicos, científicos e orçamentários, além da análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Fonte: Jornal Correio









