Tempos bicudos na sociedade, na economia e na política

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Imagem criada por IA.

No século 20, nas décadas de 40 a 60, era comum utilizar a expressão tempos bicudos, uma metáfora para descrever períodos de crise, escassez ou instabilidade, quer dizer, tempos difíceis. Estamos passando por tempos bicudos, não só no Brasil, mas no mundo todo.

A sociedade tem se transformado à velocidade da luz, rompendo com suas culturas, crenças, fronteiras e costumes, em um cenário em que o varejo tem convivido e ampliado seus esforços para entender o que acontece, usando todas as ferramentas disponíveis, físicas e digitais, além, é claro, de somar o feeling natural do empreendedor para compreender um mercado cada vez mais instável, disputado e disruptivo.

Às dificuldades e desafios acima soma-se o momento econômico no mundo, com países sem conseguir a propulsão necessária para projetar uma nova era de crescimento. Pelo contrário, as recentes guerras da era moderna, como Rússia versus Ucrânia e a mais recente entre Estados Unidos e Israel versus Irã, trazem mais instabilidade nas economias mundiais e elevam de custos, que afetam também o Brasil.

Isso ocorre em um momento em que o País registra desaceleração do PIB, sob os maus auspícios de juros reais estratosféricos, superiores aos 10%, que contribuem para controlar a inflação, mas que sufocam as empresas, tornando o capital excessivamente caro.

O impacto chega ao consumidor final, que, ao necessitar consumir e diante da escassez de recursos, lança mão de empréstimos. Como consequência, 80% das famílias brasileiras endividadas e cerca de 35% inadimplentes, em uma roda viva difícil de se sair.

Por fim, o Brasil terá, neste ano, eleições para presidente, governadores e cargos legislativos, o que adiciona um componente importante, complexo e desafiador. Nesse cenário, surgem algumas ideias mirabolantes, quase sempre destinadas a chamar a atenção dos eleitores, cuja consequências, positivas ou negativas, somente saberemos em um futuro próximo.

Aliás, já deveríamos estar acostumados, porque a cada dois anos temos eleições e, consequentemente, os preparatuvos político-partidários começam bem antes dos pleitos. Assim, vivemos continuamente em um ambiente de preparação para as próximas eleições. Esse processo tem um custo elevado, o que torna ainda mais importante o voto consciente e responsável de cada eleitor, para que o resultado das urnas seja o melhor para o País.

Por tudo isso, chegamos a 2026 com muitos desafios, crises, escassez de recursos e incertezas, coisas típicas de tempos bicudos. Trata-se de um ambiente em que quem souber enfrentá-lo, com garra, coragem, raciocínio lógico empresarial, aliado ao foco no cliente, conhecimento de seu mercado, iniciativa, criatividade, entre outros predicados típicos do empreendedor brasileiro, encontrará oportunidades. Isso porque o Brasil segue sendo um país rico em recursos naturais, com mais de 100 milhões de trabalhadores e 213 milhões de potenciais consumidores.

Assim, poderemos chegar mais forte a 2027, quando veremos se os tempos bicudos continuarão ou em qual nova era entraremos. O essencial é manter a crença em um Brasil cada dia melhor.

Jorge Gonçalves Filho é presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

Fonte: Mercado&Consumo

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