Fones de ouvido podem aumentar sintomas e atrapalhar tratamento de quem tem ansiedade; entenda

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Fones com cancelamento de ruído Crédito: Shutterstock

A sensação de nervosismo, irritabilidade ou desconforto ao usar fones de ouvido, mesmo em volumes moderados, tem sido relatada por pessoas que convivem com transtornos de ansiedade. Segundo médicos e entidades da área da saúde, o incômodo tem fundamento e está relacionado à forma como o cérebro processa estímulos sensoriais, especialmente em indivíduos mais sensíveis.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, a ansiedade pode aumentar a percepção de estímulos externos, como sons contínuos ou abafados, levando o organismo a um estado de alerta constante. Em entrevistas concedidas a veículos de saúde e bem-estar, psiquiatras ligados à entidade explicam que o cérebro ansioso tende a interpretar estímulos repetitivos como sinais de ameaça ou desconforto, mesmo quando eles não representam risco real.

[Edicase]A depressão infantil pode interferir nos estudos e nos relacionamentos das crianças (Imagem: Iren_Geo | Shutterstock) por Imagem: Iren_Geo | Shutterstock

Em pessoas com ansiedade, segundo a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, o uso de fones de ouvido pode estar associado a sintomas como nervosismo, irritação, sensação de alerta constante, taquicardia, aperto no peito, leve falta de ar, dor de cabeça, tontura, aumento da sensibilidade aos sons, dificuldade de concentração e vontade imediata de retirar o fone, além de alteração no ritmo da respiração. Os especialistas reforçam que essas reações não acontecem com todos os usuários, variam de acordo com o tempo de uso, volume e tipo de fone, e não indicam, por si só, agravamento do quadro, mas merecem atenção quando passam a interferir na rotina.

A neurologista Ana Escobar afirma que o uso prolongado de fones, principalmente os modelos com cancelamento de ruído, pode provocar uma sensação de isolamento sensorial. Segundo ela, em pessoas com ansiedade, essa redução de sons do ambiente pode gerar estranhamento, tensão e aumento da irritabilidade, já que o cérebro perde referências externas que ajudam na sensação de segurança.

Já o otorrinolaringologista Jamal Azzam, ouvido em reportagens sobre saúde auditiva, destaca que o estímulo sonoro direto no ouvido, mesmo em volume considerado seguro, pode causar sobrecarga sensorial quando ocorre por longos períodos. Ele explica que pacientes ansiosos costumam apresentar maior sensibilidade auditiva, o que torna o uso de fones mais cansativo do ponto de vista neurológico.

A Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial também alerta, em materiais informativos, que o uso contínuo de fones pode provocar não apenas desconforto auditivo, mas sintomas como agitação, dor de cabeça e sensação de pressão, especialmente em pessoas predispostas à ansiedade. A entidade reforça que esses efeitos não são universais e variam de acordo com o perfil de cada indivíduo.

Especialistas fazem questão de diferenciar o desconforto sensorial do efeito de medicamentos. A sertralina, antidepressivo amplamente utilizado no tratamento da ansiedade, não tem relação direta com intolerância ao uso de fones de ouvido. No entanto, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria explica que durante o tratamento o paciente pode se tornar mais atento às próprias sensações corporais, percebendo estímulos que antes passavam despercebidos.

Médicos ouvidos por veículos como Veja Saúde e BBC Brasil orientam que, diante do incômodo, algumas medidas simples podem ajudar, como reduzir o tempo de uso dos fones, evitar volumes altos, alternar com caixas de som em ambientes seguros e observar quais tipos de som provocam maior desconforto. Eles reforçam que a sensação não deve ser ignorada, mas também não indica agravamento do transtorno de ansiedade.

As entidades médicas ressaltam que cada caso deve ser avaliado individualmente. Caso o nervosismo seja intenso ou interfira na rotina, a recomendação é conversar com o médico responsável pelo acompanhamento, sem suspender tratamentos ou fazer mudanças por conta própria.

Fonte: Jornal Correio

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