Ester Pirolo*
Você já deve ter reparado que uma palavra pode ter vários significados. A essa propriedade que um termo tem de assumir vários sentidos damos o nome de polissemia, um dos fenômenos mais fascinantes da língua.
A polissemia acontece quando uma palavra adquire múltiplos sentidos, dependendo do contexto em que é usada. Em nossa língua, há várias palavras que carregam uma grande variedade semântica, e uma delas, talvez a mais polissêmica, é a palavra “ponto”. Somente no dicionário Michaelis esse vocábulo é descrito com 51 possibilidades de significado, sem contar com as dezenas de expressões ali registradas com esse mesmo termo.
Vejamos: ponto pode estar relacionado a lugar, assim como em: “ponto de ônibus”, “ponto turístico”; pode indicar sinal gráfico: “ponto final na frase”; etapa, momento: “o molho ainda não está no ponto”, “o debate atingiu um ponto crítico”; ideia, argumento: “nesse ponto concordo com você”, “há vários pontos a serem discutidos”; unidade de avaliação e medida: “a prova vale dez pontos”, “o time fez mais pontos hoje”; registro de presença: “o relógio de ponto está com defeito”; modo de costura: “ponto cruz”, “dar um ponto na roupa”, “levar pontos no rosto”, entre tantos outros significados.
Além dessas acepções, o termo ponto é tão versátil que aparece em expressões muito utilizadas em nosso dia a dia, tanto formais quanto informais, tais como: ponto fraco, ponto alto, ponto de partida, ponto cego, estar no ponto, dar ponto sem nó, ponto eletrônico, ponto G, ponto de bala, ponto de venda. São muitas as opções de uso, o que mostra como a língua é viva e está sempre se transformando para acompanhar as formas de pensar e viver de seus inventivos falantes.
Graças à polissemia, podemos brincar com as palavras, criar duplos sentidos, fazer humor, poesia. Ela evidencia a riqueza da comunicação humana e o quanto cada palavra é um universo de possibilidades, pronto para se revelar conforme a situação, intenção e olhar dos indivíduos. A polissemia é a prova viva de que a língua floresce na criatividade. E você, leitor, terá que concordar comigo nesse ponto. E ponto final!
*Professora do Centro de Comunicação e Letras (CCL), da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)
“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião”
Fonte: Hoje em Dia









