Apenas 10% dos brasileiros sabem que o diabetes pode afetar os rins, aponta pesquisa

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Esclarecer os mitos sobre o diabetes faz toda a diferença no controle da doença Crédito: Imagem: everydayplus | Shutterstock

Um novo estudo divulgado na última semana mostrou que a maioria dos brasileiros afirmam já ter ouvido falar sobre o diabetes, a maioria desconhece os impactos silenciosos da doença ao longo do tempo. A conclusão é um dos resultados de uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha e encomendada pela biofarmacêutica AstraZeneca, que ouviu 2.005 pessoas em 113 municípios.

Na pergunta espontânea sobre as complicações do diabetes, somente 10% mencionaram saber que o mau controle da doença pode causar problemas nos rins ou no coração, tais como doença renal crônica, insuficiência cardíaca ou hipertensão. Por outro lado, outras condições, como a chance de amputações (27%) e perda da visão (23%) foram as respostas mais frequentes, evidenciando que os riscos mais silenciosos ainda são subestimados.

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Quando mal controlado, o diabetes pode comprometer múltiplos órgãos e sistemas, incluindo olhos (retinopatia diabética), rins (nefropatia/DRC), coração e vasos (doença cardiovascular e hipertensão), sistema nervoso periférico (neuropatia), cérebro (acidente vascular cerebral) e membros inferiores (pé diabético e amputações).

“A população associa o diabetes aos efeitos físicos, que ficam mais evidentes, mas ignora as lesões silenciosas que se acumulam ao longo dos anos nos órgãos vitais, como os rins. É essencial ampliar o acesso à informação e à prevenção para que mais pessoas reconheçam os riscos e busquem acompanhamento médico contínuo”, diz o médico nefrologista Carlos Koga.

Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma epidemia silenciosa, o diabetes afeta 16 milhões de pessoas no Brasil. Nos últimos anos, os casos aumentaram entre adultos jovens, em um cenário de sedentarismo, alimentação inadequada e obesidade.

“Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento contínuo, é possível controlar o diabetes e evitar complicações graves. Informação e prevenção caminham juntas no cuidado com a saúde”, destaca o médico endocrinologista Rodrigo O. Moreira, membro do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

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Jovens

No recorte etário, também há alguns alertas importantes. Quando os entrevistadores perguntavam especificamente a frase ‘você já ouviu falar da relação entre diabetes e doença renal?’, metade dos brasileiros entre 16 e 24 anos disseram nunca ter ouvido falar dessa conexão.

“Os jovens podem ser protagonistas na mudança de hábitos e na disseminação de informação. No entanto, os dados mostram que ainda há um caminho importante a percorrer para fortalecer o conhecimento sobre as doenças crônicas e suas conexões”, pontua a cardiologista do Hospital Universitário Cajuru Lidia Moura, professora titular de Medicina na PUC-PR.

Já entre os entrevistados com diagnóstico de diabetes e/ou hipertensão, 31% nunca sequer tinham recebido orientações médicas sobre prevenção de doenças relacionadas. Outros 61% afirmaram gostariam de ter a oportunidade de tirar dúvidas com um especialista sobre alimentação, riscos cardíacos e renais.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Datafolha entre os dias 8 e 12 de setembro de 2025, a pedido da AstraZeneca. Ao todo foram 2.005 entrevistas presenciais (1.034 mulheres e 971 homens) em 113 municípios de todas as regiões do Brasil, com margem de erro máxima de ±2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A amostra é representativa da população brasileira com 16 anos ou mais, abrangendo todas as classes econômicas.

Fonte: Jornal Correio

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