Maria Xavier*
Nas últimas semanas, estive presente no evento organizado pela Alura, em parceria com a FIAP, que reuniu participantes da delegação brasileira na Bett UK em uma plenária, trazendo reflexões do evento para o Brasil. Com muitos insights valiosos, que podem inspirar debates e práticas educacionais no país, o encontro abordou temas como o protagonismo e autonomia dos alunos, a influência de uma tecnologia acessível e seu impacto na educação, além do uso crítico de recursos digitais nos métodos de ensino.
Diante desse contexto, é importante lembrar que, de acordo com dados do IBGE, o acesso à tecnologia no ambiente educacional ainda apresenta disparidades. Na educação infantil, a presença da internet banda larga em escolas particulares atinge cerca de 85%, já na rede municipal, o percentual chega a 52,7%. Analisando o ensino fundamental, as estatísticas revelam que a rede escolar dos municípios apresenta um déficit significativo em capacidade tecnológica, com apenas 9,9% das escolas usando lousa digital, 54,4% com projetor multimídia, e 38,3% dispondo de computadores de mesa.
Mas muito além da implantação de novas tecnologias, os métodos de aprendizagem têm passado por desafios e transformações em todo o globo. Durante o evento, por exemplo, foi possível acompanhar que a formação docente no Reino Unido tem forte ênfase na disciplina e comportamento dos alunos, um aspecto que influencia diretamente o ambiente de aprendizagem e que deve ser replicado o quanto antes no Brasil.
Pensando no protagonismo do estudante, modelos como o da King’s College destacam o papel ativo dos estudantes, com alunos-tutores apoiando colegas e uma abordagem que incentiva a autonomia desde cedo.
Alinhado a isso, é comum que escolas britânicas compartilhem experiências e boas práticas com instituições do entorno, fortalecendo a formação contínua dos professores.
Em relação ao tema central e de maior desafio, que é a tecnologia no setor educacional, discutir aspectos como a segurança digital também se torna essencial. A quantidade de expositores de cyber security na Bett UK reforça a crescente preocupação com a proteção de dados de menores de idade. As escolas britânicas não apenas fiscalizam e protegem os alunos, mas também os ensinam a proteger seus próprios dados.
Com isso, vale reforçar que a tecnologia não deve ser usada indiscriminadamente, mas sim com intencionalidade pedagógica: a pergunta-chave não é apenas “o que usar?”, mas “quando e por quê?”. Por fim, entrando no aspecto da inteligência artificial, ela está avançando na educação, isso é um fato. No entanto, identificar qual o seu papel no aprendizado passa a ter caráter de urgência. Essa reflexão também nos desafia a repensar o papel da tecnologia na educação brasileira.
Como podemos adaptar essas ideias e métodos de aprendizado à nossa realidade? Fica aqui a provocação, já que esse é um setor que vai crescer ainda mais nos próximos anos com o avanço da IA. Mas será que todos os players e instituições estão preparados para isso?
* Gestora de Educação da Fluencypass
Fonte: Hoje em Dia